terça-feira, 12 de março de 2024

Sobre o sujeito e o predicado

  


         A quadrinha deste domingo faz referência aos termos essenciais da oração – sujeito e predicado. O sujeito designa o ser ou coisa de quem se dala. Já o predicado define-se como o que se diz sobre o sujeito, e sua principal característica é conter um verbo (significativo ou de ligação). Pode haver oração sem sujeito, mas não sem predicado, e à primeira vista a quadra afirma um absurdo. A não ser, claro, que se atente para o propósito do autor: jogar com a polissemia desse termo, que também significa “qualidade”, “atributo” (geralmente positivo). Considerando-se esse sentido, é claro que há (e como!) muitos indivíduos a quem faltam qualidades positivas.




O oximoro

        A quadrinha deste domingo trata do oximoro, que é um tipo de paradoxo no qual se associam palavras de sentidos opostos. Representa uma contradição em termos, ou seja, traduz os contrastes verbais sem, contudo, designar uma oposição real; não se pode, ao mesmo tempo, ser pobre e rico (a não ser que esses adjetivos pertençam a diferentes domínios da realidade). O oximoro vincula-se historicamente ao Barroco, que reflete a dualidade do espírito humano dividido entre a religiosidade medieval e o racionalismo do Renascimento. Um dos mais famosos exemplos do emprego dessa figura encontra-se no soneto de Camões “Amor é fogo que arde sem se ver”, que diz na primeira estrofe: “Amor é fogo que arde sem se ver, /é ferida que dói, e não se sente; /é um contentamento descontente, /é dor que desatina sem doer.”



sexta-feira, 8 de março de 2024

Sobre o verbo "ser"



        O verbo "ser" se classifica como como copulativo ou de ligação (“copular” significa unir ou ligar). Essa designação aplica-se aos verbos que ligam o sujeito ao predicativo (Por exemplo: "João é estudante"). O verbo “ser” é o copulativo por excelência, pois todos os outros de algum modo o pressupõem (“estar” é ser provisoriamente; “ficar” é passar a ser; “continuar” é permanecer sendo; etc.). O efeito da quadra decorre da polissemia do adjetivo “copulativo”, que também se refere à “cópula”, ou seja, ao ato sexual, e desse modo hipoteticamente se opõe aos atributos de virgindade e pudicícia.    

quinta-feira, 7 de março de 2024

O anacoluto


           O anacoluto é uma quebra na estruturação sintática. Ocorre quando se inicia a oração por um termo que fica à margem por não se inserir na estrutura lógica da frase. É o caso de “a moça” no penúltimo verso.   

        Outro exemplo ocorre neste trecho da redação de um aluno: “Em um mundo tão heterogêneo como o nosso pode ser um obstáculo à convivência interpessoal.” A apresentação de “mundo heterogêneo” como adjunto adverbial de lugar (antecedido da preposição “em) impede que se saiba qual o sujeito da locução “pode ser”.

Uma forma de dar coerência à frase é suprimir a preposição e apresentar como sujeito a expressão que antes indicava o lugar: “Um mundo tão heterogêneo como o nosso pode ser um obstáculo à convivência interpessoal.”

          O anacoluto pode ter efeito expressivo. Nesse caso, a mudança súbita na direção do enunciado sugere que o emissor está motivado por razões emocionais: “O menino, quem quiser que cuide dele!”

Sobre o sujeito e o predicado

             A quadrinha deste domingo faz referência aos termos essenciais da oração – sujeito e predicado. O sujeito designa o ser ou cois...